Vvm livro precisa de prólogo ou ele é desnecessário? Depende do prólogo? Depende do livro? Se pulássemos a leitura diretamente para o primeiro capítulo, perderíamos algum elemento essencial da história?

As opiniões diferem, e a maioria, claro, tem a ver com gosto pessoal.

Ao ler um prólogo, o leitor sabe que aquela ainda não é a história de verdade, especialmente quando o protagonista não participa dessa introdução. O leitor precisa “começar” o livro duas vezes, o que requer mais imersão e atenção — afinal, ele vai manter o prólogo no fundo da mente para conectá-lo com a história principal quando fizer sentido, então é melhor que o prólogo seja interessante.

Acho um pouco de exagero determinar se essa parte é necessária ou não. Pra mim, é mais uma questão de preferência. Em alguns livros, chegamos em certa parte da história e pensamos “ahhhhhh, por isso teve aquele prólogo!”. Em outros, o livro termina, o mês passa, a estação muda e acabamos sem achar nenhuma ligação.

Considero o prólogo mais uma ferramenta do escritor. Está guardado na nossa caixa e devemos decidir quando é melhor usá-lo. Obviamente sempre o utilizamos visando melhorar a experiência do leitor, apesar do resultado acabar sendo diferente, às vezes.

Vamos dar uma olhada em tipos comuns de prólogos.

1) Passado

O prólogo se passa durante um evento no passado do protagonista, geralmente para mostrar motivações e consequências futuras. A infância do Batman é um exemplo. Não é o início da história — é algo distante, uma preparação para a trama principal.

2) Futuro

Começamos lendo sobre o protagonista no futuro, após os acontecimentos do livro, como em O Nome da Rosa, do Umberto Eco.

3) In media res

No meio da ação, ou in media res, é quando a história começa… no meio da ação. O leitor é jogado no olho do furacão, diante de eventos que costumam ocorrer no meio da história. A história só começa realmente no primeiro capítulo, contando como tudo aconteceu até chegar ao meio da ação contada no prólogo. Os livros da saga Crepúsculo começam desse jeito, assim como inúmeros filmes (A Origem, Sem Limites, Thor…)

4) Ambientação

O prólogo serve como tira-gosto do livro. Ele vai ditar o tema, a atmosfera, a ambientação da história, como que preparando o leitor para o que está por vir. Um exemplo é o prólogo de Guerra dos Tronos, que serve para nos mostrar a magia do mundo, os caminhantes brancos e o horror oculto da série, algo que não vai aparecer por um bom tempo.

5) Outro olhar

Nesse tipo nos profundamos em um ponto de vista diferente dos principais — no do antagonista, por exemplo, ou de algum personagem secundário. O objetivo pode ser parecido com o primeiro tipo de prólogo, mas para outros personagens, ou então apenas mostrar um pouco do que eles são capazes. No prólogo de Eragon, vemos as forças do Império caçando o ovo de dragão da elfa Arya.

6) Exposição

Muito comum em livros de fantasia, esse é o tipo de prólogo que costuma ser chato. Geralmente serve para o autor despejar informações sobre mundo, sistemas de magia, regras, passado de personagens e outras exposições. Por outro lado, quando funciona, enriquece a história. No Belas Maldições, de Pratchett e Gaiman, o prólogo serve como um paralelo da Gênese bíblica.

Você conhece outros tipos comuns de prólogo? Em sua opinião, o que funciona e o que não funciona em um prólogo? Quais elementos dessa introdução enriquecem a leitura?