Qquando determinamos objetivos pessoais, o que temos em mente geralmente é a visão final do que buscamos alcançar. É uma visão ambiciosa, mas que acaba deixando de lado passos importantes, como a construção do hábito necessário para nos levar até lá.

Objetivos grandes e ambiciosos podem ser fonte de motivação, mas costumam ser algo tão abrangente e carregado de significados (escrever um livro!, ser um escritor!, terminar uma HQ e vender milhões!) que o tiro muitas vezes sai pela culatra – a dificuldade e o tamanho da tarefa levam à procrastinação. Temos medo de continuar.

O NaNoWriMo, por exemplo, é maravilhoso, especialmente por ter um prazo final. estamos testando nosso limite criativo, nossa resistência, produtividade e força de vontade por 30 dias. É uma experiência onde exploramos nossas capacidades e descobrimos que podemos realizar mais do que sonhávamos. O ruim é que, para muitos (inclusive para mim), a meta do NaNo não é sustentável por períodos maiores do que a duração do projeto.

“Escrever um livro” é vago e complexo demais como objetivo. E quando colocamos objetivos grandes e desafiadores demais, acima do que estamos preparados, eles se tornam obstáculos. É fácil deixar de escrever todos os dias quando nossa meta diária é de 2 mil palavras. Em dias muito corridos, em que você só vai poder começar a escrever cansado, com a mente esgotada no final do dia, é muito mais fácil pensar “Ah, não vou conseguir 2 mil hoje, deixa pra amanhã”.

Entretanto, se dividirmos essa meta em passos pequenos visando construir um hábito, a montanha de repente não fica tão assustadora. Ela ainda tem o mesmo tamanho, mas a escalada tornou-se mais fácil.

mini objetivo

Mini-hábitos com mini-objetivos

É aí que entram os mini-hábitos. Crie uma meta tão fácil de ser cumprida todos os dias que qualquer desculpa para evitá-la seja ridícula. Por exemplo, comprometa-se a escrever 100 palavras por dia. Você pode escrever 100 palavras. Qualquer um pode. Não há desculpas plausíveis para fugir dessa meta.

E a magia dos mini-hábitos começa a fazer efeito. Raramente nos contentaremos em cumpri-los e dar o trabalho por terminado (mas lembre-se de que, se for o caso, tudo bem! Já cumprimos a meta). O mini-objetivo, o mini-hábito servirá como faísca para acender o fogo da criatividade e nos mover adiante.

Além disso, os mini-hábitos se acumulam. Nos sentimos bem ao cumpri-los todos os dias, passamos a ansiar por completá-los, aprendemos a gostar do pequeno desafio. O trabalho fica fácil: o mini-hábito de escrever diariamente, sem desculpas, está formado. Não só o cumprimos, como melhoramos nossa habilidade.

Claro, ainda assim haverá dias em que não conseguiremos cumprir nem mesmo os mini-objetivos. Dias ruins virão, e não tem problema. Amanhã começaremos novamente, porque nosso hábito precisa de tão pouco para ser completado que não existe motivo para desistir de vez.

E quanto mais completamos, mais queremos completar. O mini-hábito torna-se normal, e eventualmente aumentamos sua dimensão, aos poucos, rumo a alvos mais ambiciosos.

Ache o seu mínimo

Determine o seu mini-hábito, seus mini-objetivos. Qual o menor passo possível pra você iniciar e criar um mini-hábito?

  • Você pode escrever 100 palavras todos os dias? Um parágrafo? Uma linha?
  • Você pode desenhar só um quadrinho da página (ou outra meta viável – estou só chutando aqui)?
  • Você pode treinar só um acorde?
  • Você pode fazer um pomodoro de 10 minutos?
  • Você pode ir pra academia e fazer só um exercício?

Comprometa-se apenas com um pouco para garantir a realização do seu objetivo. O impulso de simplesmente começar vai quase sempre te motivar a ir além.

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