Aapesar de curto, o livro How to Write a Novella in 24 Hours: and other questionable & possibly insane advice on creativity for writers, de Andrew Mayne, é bem informativo e contém várias dicas preciosas sobre escrita. O título é bem marketeiro, e o autor também fala sobre isso,  mas é como Andrew escreve suas novellas. Depois de tudo planejado, ele vai do começo ao fim de uma só vez (ou dormindo, mas ainda assim, o total de horas escritas são 24).

A linguagem do livro é direta, conversacional e bem divertida. Os capítulos são curtinhos e têm cara de post de blog, mas são cheios de sugestões práticas.

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Escrevendo a novella

Decidi escrever uma novella em 24 horas porque fiquei com medo de me tornar complacente com a escrita. No meu primeiro ano como escritor (ganhando dinheiro), escrevi algo entre 8 e 10 livros. Desde então fiquei preguiçoso.

A novella (que o autor define como algo entre 17 e 40 mil palavras) ganhou uma revitalização com a era de e-books — na publicação tradicional, esse formato é difícil de ser publicado. Andrew diz que a novella é ótima para o leitor, que procura coisas mais curtas, e para o autor, que pode aumentar seu portfólio terminando um título rapidamente.

Segundo o autor, escrever uma novella em 24 horas é uma questão, antes de tudo, de planejamento.

Eu escrevo mais rápido quando já sei sobre o que vou escrever. E não estou falando de enredo — isso eu sempre defino de antemão. O negócio é que, se vou inventar algo sobre lugares e situações que já conheço, tudo flui mais fácil. Por outro lado, se eu for escrever sobre a Noruega ou o período interglacial Eemiano, preciso pular entre escrita e pesquisa o tempo todo para não passar muita vergonha.

Enquanto você pode escrever sobre qualquer assunto, quando o objetivo for velocidade, escrever sobre o que já conhece é mais vantajoso. Isso inclui personagens: a recomendação é conhecê-los intimamente antes de começar.

Sobre o outline, o melhor é planejar apenas o bastante para se ter um guia. Ter o final pronto é fundamental, ainda que ele mude depois.

Para as minhas novellas, eu me limito a um outline básico de sete ou oito pontos-chave. […] Isso me dá estrutura suficiente para saber onde começar e terminar, com liberdade para mudar o que eu achar melhor.

Andrew também avisa para escolhermos o tipo certo de história para contar e não escrever uma novella somente por preguiça de escrever um romance, mas porque a história será melhor servida nesse formato. Determine o tamanho pelo número de personagens, escala e profundidade do conflito, subtramas e ritmo.

E, obviamente, essa primeira versão será horrorosa, mas estará pronta. A revisão vem depois.

Império, telefone e capas

Estatisticamente, as chances estão contra a gente. Primeiro, 99% dos ebooks independentes não são muito bons. Segundo, mesmo quando são bons, pode ser difícil despertar o interesse de alguém.

Andrew sugere montar a sua própria plataforma, conectar-se diretamente com os leitores e criar uma newsletter. O melhor meio de manter contato é por e-mail, já que as redes sociais oferecem limitações demais.

O autor também recomenda escrever pelo smartphone sempre que houver tempo sobrando: filas, restaurantes, avião ou simplesmente quando não quiser ficar sentado no computador e preferir o conforto da cama. O celular também serve para anotar qualquer fragmento da história que vier à cabeça, seja pedaços de diálogo, conceitos, caracterização, etc.

O livro é uma narrativa que unifica um monte de ideias. Essas ideias podem formar personagens, enredo e os detalhes que fazem sua história ser única. […] Sempre que a inspiração bater, não necessariamente em forma de prosa, mas como moléculas que forma a história, anote.

Quanto a capas, menos é mais. Os elementos necessários são o título e o nome do autor. O resto é para capturar o interesse. Escolha uma fonte adequada e uma imagem simples e poderosa. Andrew mostra exemplos de capas famosas, explica alguns detalhes da composição e, com essa base, constrói capas de livros imaginários. Ele observa que não é designer e apenas usa o que aprendeu estudando capas de bestsellers.

Bloqueios criativos, ideias ruins e críticas

O principal motivo do bloqueio criativo é a falta de planejamento — não saber o que escrever em seguida. Se você começa a escrever sem um plano, até chegar em alguma conclusão aleatória, as chances de bloqueio são maiores.

Eu não tenho todos os detalhes resolvidos. Longe disso. Principalmente, penso em todos os problemas que vão atrapalhar meu protagonista e então tento ajudá-los e se livrar da bagunça.

Mas, claro, parte do bloqueio é não saber como planejar o próximo conflito. A solução de Andrew é simples: faça uma caminhada. Essa pequena atividade física, com o problema em mente, geralmente ajuda a criar uma solução. Afaste-se da história e pergunte-se por que as coisas acontecem em vez de o quê acontece.

O essencial é sempre ter o próximo conflito em mente. O autor diz que storytelling é a comunicação de conflitos interessantes.

Eu tento quebrar meu outline em uma série de conflitos. A cada passo eu sei qual o objetivo do personagem e o que o impede.

O autor também fala que a sua pior ideia pode ser a melhor e conta a história de George Lucas com Star Wars — como a confusão amadora que Lucas criou transformou-se no clássico que todos conhecem porque ele soube ouvir as críticas certas e continuou fazendo o que amava. Além disso, é necessário terminar o que começa. A maldição da mente criativa é sempre ter uma ideia que parece melhor e mais brilhante que a atual. É uma ilusão. Siga seus projetos até o fim.

Uma ideia medíocre completa é infinitamente melhor que uma sacada genial nunca terminada.

E isso leva a outro ponto essencial para os escritores: entenda as críticas. Não abrace apenas os elogios e ignore pessoas que podem saber do que estão falando e dividem conselhos construtivos.

Como autores independentes, nosso caminho é feito de resenhas online escritas por amadores e com indiferença. Tenha cuidado para não levá-las a ferro e fogo, mas ignore-as a seu próprio risco.

Andrew Mayne conclui o livro sugerindo dicas para deixar seu livro com aparência mais profissional, ferramentas de escrita, como nomear seu livro e 100 maneiras de promovê-lo.

Como puderam ver, How to Write a Novella in 24 Hours, para um livro curto e baratinho (menos de R$ 4), possui um conteúdo muito legal. Qualquer autor independente pode aprender uma ou duas dicas valiosas aí. Tenham em mente que essas são apenas algumas anotações pessoais — o livro possui ainda mais conteúdo.

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