Aatrasou, mas chegou. Resuminho dos 14 livros que li em junho de 2015. Parece bastante, mas a maioria deles é curtinha.

doctor who shada

Doctor Who: Shada, por Douglas Adams

O que eu posso falar de Douglas Adams? Um dos meus autores favoritos, é claro que o livro é excelente. As caracterizações dele são incríveis. Em algumas linhas podemos entender completamente o personagem. Sem falar nas maluquices do enredo, dos diálogos e das piadas.

Shada foi um script da série do Doutor que não chegou às telas. Gareth Roberts foi o responsável pela adaptação literária.

Nunca assisti nem li nada de Doctor Who. Eu achava que era sobre um médico que viajava no tempo. Se for tão bom quanto Shada, quanto tempo eu perdi…

Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently, por Douglas Adams

Como é bom poder me afogar na imaginação louca de Adams. Esse tipo de livro faz bem pro cérebro, pro coração, pra alma, pros órgãos. Como alguém pode não gostar, ou pior, ignorar uma joia dessas?

Fanboyzisses à parte, isso é o Guia do Mochileiro das Galáxias com outros personagens e menos espaçonaves. É tudo tão insanamente divertido que você termina e fica com vontade de recomeçar, porque as coisas podem acontecer de outra maneira.

Observação: li Dirk e Shada um atrás do outro, e Adams usou o professor Cronotis nos dois livros. Ou melhor, usou o Cronotis do script em Dirk Gently. Legal, né?

o astronauta sem regime

O Astronauta Sem Regime, por Jô Soares

Recentemente encontrei um artigo na Revista Bula recomendando 10 livros nacionais de humor. Fiquei com vergonha de não ter lido nenhum e tratei de mudar esse quadro. Consegui comprar vários no Estante Virtual, e esse, do Jô, foi um deles.

O livro é legal, nada demais. São vários contos e piadas curtas. Algumas são meio datadas, algumas são bem óbvias e outras, divertidas. A maioria depende da punchline, sabe, aquela virada do final. Me lembrou bastante das piadas que ele faz durante o programa. É uma leitura rápida, então vale para quem quer algo leve.

A Lua vem da Ásia, por Walter Campos de Carvalho

Também estava no artigo acima. Não sei explicar esse livro. É uma história surreal (surreal mesmo, do movimento do surrealismo literário), sem pé nem cabeça, mostrando as viagens e acontecimentos alucinados de um louco. Leitura absolutamente divertida e recomendada.

Garotos da Fuzarca, por Ivan Lessa

Esse também não sei explicar, mas porque não entendi nada. É um daqueles livros que faz eu me sentir burro. O livro foi elogiado no artigo da Bula, vários autores famosos dizem que Lessa é o melhor do Brasil… mas eu não entendi. Achei as histórias sem graça, cheias de racismo e misoginia que, acredito, sejam ironia. O estilo do autor é truncado e confuso e não sei o que era pra ser engraçado. Obviamente, a culpa é minha.

Como Falar com um Viúvo, por Jonathan Tropper

Conheci a escrita de Tropper com o livro Sete Dias Sem Fim, que virou filme em 2014. Ao ler Como Falar com Um Viúvo, percebemos um certo padrão na história e nos personagens: família problemática, constrangimentos sexuais, mulheres incrivelmente lindas, protagonistas sensíveis e um pouco introvertidos, antagonistas cafajestes, estilo “macho alfa”. A sensação de familiaridade entre seus livros é bem grande, e isso fica um pouco repetitivo.

Entretanto, esse padrão não tira os méritos do autor. Os personagens podem ser repetitivos, mas são bem construídos. É fácil gostar deles e entender suas motivações. Os mundos criados, aliados à ótima escrita, ao humor negro e às diversas referências à cultura pop, são divertidos e fáceis de mergulhar e se prender.

O livro tem um tom melancólico, em várias partes chega a beirar o deprimente, mas o humor de Tropper altera a balança nos momentos exatos. Suas analogias e referências são um prato cheio. O livro é curto e o ritmo da trama é rápido. Leitura prazerosa e memorável.

Skullkickers, por Jim Zub

Fantasia, porrada e humor. Uma HQ cujo objetivo é entreter com violência e piadas, temperadas com pitadas de história.

Dois mercenários, um anão e um humano, destroem vilas, matam monstros e recuperam defuntos para ganhar a merecida recompensa. Recomendo fortemente para quem curte esse tipo de entretenimento. Faltam dois volumes para a série chegar ao fim.

Só as onomatopeias literais já valem a leitura:

skullkickers onomatopeia

Você pode ler Skullkickers online de graça.

Dungeons & Dragons: Legends of Baldur’s Gate, por Jim Zub

Do mesmo autor de Skullkickers, Jim Zub escreveu essa pequena homenagem ao game Baldur’s Gate.

A HQ se passa anos depois dos acontecimentos de Baldur’s Gate. Recomendo para quem gostou dos jogos. É legalzinha, mas bem esquecível. Nada demais. Achei que teve muitos clichês para tão poucos volumes.

Destaque para o Boo, é claro.

one more thing, bj novak

One More Thing, por B.J. Novak

Vocês provavelmente conhecem o autor pela série The Office, onde ele interpretava o Ryan. Ele é ator, escritor, comediante e diretor.

Adorei esse livro. São vários contos, alguns de duas ou três frases e outros de várias páginas, sobre os mais variados assuntos: a lebre querendo uma corrida de vingança contra a tartaruga, um diretor de colégio quer acabar com a matemática, porque quem gosta de matemática?, o escritor John Grisham percebe que um livro seu foi publicado com o nome de rascunho, THE SOMETHING, onde o SOMETHING era pra ser substituído por algo relevante à história, e por aí vai.

Bem escrito e, por trás do humor, sensibilidade e inteligência. Um livro que me faz querer escrever mais e melhor é um livro maravilhoso.

Attempting Normal, por Marc Maron

Marc Maron é o criador do podcast WTF, onde recentemente entrevistou o Obama, episódio que teve mais de 2 milhões de downloads.

Maron é um comediante ex-viciado em drogas, álcool, pornografia e outras coisas. Ele é um cara bem maluco. O livro tem vários contos pessoais da vida profissional e pessoal dele, geralmente os dois juntos. As histórias são divertidas, mas também tristes, porque percebemos como o autor destrói, ou destruía, a própria vida e os relacionamentos.

É um livro trágico disfarçado com comédia. E a tragédia do Maron é realmente engraçada.

arte poética

Arte Poética, por Aristóteles

O primeiro livro do mundo sobre estrutura narrativa. Barato e com um ótimo conteúdo. Grifei o meu quase todo.

É interessante ver como Aristóteles desmontava o enredo das peças gregas e o que ele considerava bons e maus elementos da trama. Algumas coisas são ultrapassadas, mas conseguimos entender o valor por trás da mensagem. Por exemplo, ele diz que o melhor conflito é entre membros de família (como em Édipo Rei), e o resto é dispensável. Podemos concluir que, quanto mais próximos os personagens, maior o o conflito, certo? Pode parecer óbvio, mas ele definiu isso há milênios.

Estrutura, personagens, trama, linguagem, Aristóteles cobriu praticamente todos os aspectos da fundação de uma história. Talvez não seja o livro definitivo sobre o assunto, mas é um belo ponto de partida.

daily rituals

Daily Rituals: How Artists Work, por Mason Currey

Um livro fascinante que relata como diversos artistas, vivos e mortos, trabalham ou trabalhavam. Apesar de cada um ter seu próprio, digamos, ritual criativo, identificamos vários padrões na vida dos profissionais. Cafeína, álcool e tabaco, por exemplo, parecem obrigatórios na rotina de um criador.

Darwin, Picasso, Sylvia Plath, Le Guin e Kurt Cobain são alguns dos que figuram a lista. Achei várias rotinas interessantes e pretendo incorporar algumas no meu dia a dia.

ignore everybody

Ignore Everybody: and 39 Other Keys to Creativity, por Hugh Macleod

Um dos poucos livros sobre criatividade e arte que não gostei. O autor se contradiz e me pareceu, além de prepotente, extremista. O jeito dele é o único que funciona e por isso as criações dele são sensacionais, o suprassumo da criatividade. Ele escreve e desenha em cartões de visita e acha isso máximo.

Um livro desses deve fazer o leitor se sentir melhor sobre si mesmo e sobre sua escolha artística ao terminar de lê-lo. Há alguns conselhos legais no livro, mas tudo é tão eclipsado pela personalidade irritante do cara que eu acabei ficando puto. É algo do tipo “Não desista, porque um dia você vai ter uma ideia tão incrível quanto a minha. Se tiver sorte.”

Poupe seu tempo e dinheiro.

método do floco de neve

How to Write a Novel Using the Snowflake Method, por Randy Ingermanson

O livro do autor que inventou o método do floco de neve para estruturar narrativas. No livro, o autor conta a história de uma menina que usa o método do floco de neve para estruturar seu livro, e ele escreveu o livro usando o método. É um tremendo inception, mas nada é confuso — o método é explicado detalhadamente e com muitos exemplos, além de um resumão muito útil no fim do livro. Vale muito a pena para quem quer um modelo simples e útil de estrutura. Livro baratinho e com conteúdo excelente.