Llistinha rápida dos 13 livros de agosto, com direito à uma mini-maratona de Terry Pratchett.

Writing for Emotional Impact, por Karl Iglesias

É um livro específico para roteiros, em vez de romances, mas a maioria das técnicas e conselhos se aplicam muito bem em qualquer meio. O formato dele é diferente da maioria dos livros sobre escrita — ele não contém papos motivacionais nem conversas inspiradoras. O autor vai direto ao ponto com muitas dicas práticas sobre composição de cenas e como aumentar o drama da sua escrita. Um dos meus favoritos sobre o assunto.

Storyworld First, por Jill Williamson

Obra destinada exclusivamente à construção de mundos (worldbuilding). Muito extensiva e variada, um verdadeiro manual de referências. Não é um livro para se ler de uma vez só, mas para servir de pesquisa e consulta. Apesar de não detalhar conceitos mais complexos, como sociedade e política, o título é, na minha opinião, o melhor ponto de partida para construção de cenários. E, dependendo do quanto você deseja construir, também é o ponto de chegada. Eu diria que é leitura obrigatória para escritores de fantasia e ficção científica.

A Blink of the Screen, por Terry Pratchett

Coleção de contos que Pratchett escreveu ao longo da carreira, e até antes de começá-la. O primeiro conto é de quando ele tinha 13 anos. Uma ótima adição às obras do autor, onde podemos ver a veia cômica desde cedo e como Pratchett a usou, junto com a fantasia, para realizar críticas sensacionais.

Thief of Time, por Terry Pratchett

Pratchett conduz com excelência várias histórias paralelas ao mesmo tempo, uma mais divertida que a outra. Susan, neta do Morte, é uma das personagens mais legais do Discworld. A trama é um pouco complexa, porque eu não consigo seguir muito bem quando o assunto é anomalias do tempo, mas tudo é exposto de uma maneira tão irreverente que eu nunca me sinto perdido (ou não ligo). A evolução do próprio Morte como personagem também é fantástica de acompanhar.

The Last Hero, por Terry Pratchett (ilustrado por Paul Kidby)

Uma história curta e ilustrada sobre Cohen, a Horda Prateada, Rincewind e Leonard da Quirm como protagonistas. Como é o último livro do arco de Rincewind, teve um tom melancólico pra mim. Sei que ele aparece em outros volumes, mas não como protagonista.

É uma história maravilhosa sobre o último ato heroico dos maiores guerreiros do Disco — enfrentar os próprios deuses. Quando não há mais aventuras, o próximo passo é tornar-se uma lenda.

Night Watch, por Terry Pratchett

Meu livro favorito do Pratchett era Pequenos Deuses, que serviu de inspiração para o nome desse site. Eu achava que Discworld não podia ficar melhor que aquele livro. Eu estava enganado. Samuel Vimes é o personagem mais complexo da série, sem dúvidas — o desenvolvimento do personagem é o mais forte e nítido. Enquanto há as loucuras habituais de comportamento, Vimes é humano demais. É muito fácil se relacionar com ele.

Nesse título, a trama central também está relacionada com viagem no tempo, mas, dessa vez, é algo mais simples e compreensível. Entretanto, é uma história comovente. Eu não costumo chorar quando leio, mas chorei no final de Night Watch. É uma obra de fantasia, e tem todo o humor e as piadas, mas é um livro trágico. Ele mostra porque Pratchett está muito acima de outros autores. Night Watch me lembrou porque me espelho tanto em Pratchett, e também me deprimiu um pouco, porque sei que nunca vou me comparar a ele.

The Wee Free Man, por Terry Pratchett

Tiffany Aching é como protagonistas femininas deveriam ser — corajosas, espertas e capazes, mas também sensíveis, inseguras e orgulhosas. Em outras palavras, complexas. O livro faz parte das obras infanto-juvenis do Discworld, mas Pratchett não trata o público alvo com condescendência, como se ele não fosse esperto o bastante para entender as situações emocionais e sombrias.

A Slip of the Keyboard, por Terry Pratchett

Coleção de artigos, discursos, cartas e outros textos de não-ficção do Pratchett. Ele fala sobre escrita, chapéus, autógrafos, eutanásia, elfos, sua avó e muito mais. Seu olhar para observar pessoas e situações era único e incomparável. É um livro que me faz sentir ainda mais falta dele e de sua escrita.

Put Some Farofa, por Gregório Duvivier

Livro que reúne roteiros, textos e crônicas do autor. Eu diria que esse é o verdadeiro “mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”. Apesar de uma ou outra repetição nos assuntos, as reflexões do Duvivier são bem divertidas e sagazes. Ele não expõe muitos argumentos, e acredito que não seja sua proposta, preferindo mostrar suas opiniões com humor e exemplos absurdos, mas bem reconhecíveis. Acredito que vão gostar mais da obra quem se já se identifica com os pontos de vista do autor — se for o seu caso, prepare-se para conhecer um novo melhor amigo em forma de livro.

Eu Mato Gigantes, por Joe Kelly (arte de JM Ken Nimura)

Outra obra com uma grande protagonista feminina.Eu achei que fosse uma HQ de fantasia. Não é. Apesar dos elementos fantásticos presentes, que você precisa ler para ver como são aplicados, é uma série dramática sobre negação, medo, trauma e, eventualmente, coragem e superação. Uma história curta e emocionante da maior matadora de gigantes do mundo tentando matar seu pior inimigo, o maior gigante de todos. No último volume, realidade e fantasia se misturam em um momento aberto para interpretações, e esse detalhe enriqueceu ainda mais a obra. Eu Mato Gigantes é linda, profunda, tocante, onde qualquer um pode se ver no lugar da protagonista.

Persépolis, por Marjane Satrapi

Uma HQ brilhante sobre a infância e o amadurecimento da autora no Irã durante a Revolução Islâmica. Podemos ver os horrores de um país assolado pela guerra (e de como isso afeta seu povo), a intolerância do fundamentalismo, o terrorismo entre compatriotas. Além de comovente, é enfurecedor ler sobre certas situações. A linguagem é conversacional, bem simples e direta. Isso, pra mim, tirou um pouco do apelo emotivo de certas passagens.

Maus, por Art Spiegelman

Isso não é uma leitura, é uma experiência. Muito difícil superar Maus, seja nos quadrinhos ou em qualquer outro meio literário. Então evite comparações — Maus está em uma categoria exclusiva.

Uma história biográfica sobre o holocausto e todas as repercussões da guerra em um nível pessoal, familiar. Amor, sobrevivência, compaixão e, claro, a loucura em que a humanidade pode chegar quando segue ideais extremos. Duvido você não se emocionar.

Estações de Caça, por Lauro Kociuba

Estações é o segundo livro da série Alvores, do mago de barba azul Lauro Kociuba, mas é o primeiro título do arco do protagonista Haakon. Estações e A Liga dos Artesãos não têm conexão direta e podem ser lidos em qualquer ordem.

Achei o enredo ainda mais interessante e envolvente que seu antecessor, A Liga dos Artesãos. É algo particular, mas prefiro ambientações medievais a modernas. E que ambientação maravilhosa — a história nos joga para a cultura viking do século X. O livro é curto e as páginas passam rápido. A leitura é dinâmica, com bastante conflito e tensão, desde o parto de Haakon até a parede de escudos contra os saxões.

Deuses, Caçada Selvagem, valquírias, elfos, Valhalla, parede de escudos e uma ótima história. O que tem pra não gostar?