Pprocurando uma saída da floresta, tudo que eu queria era comida, água e um abrigo para sobreviver à ruína do mundo. Mas, às vezes, até o mínimo necessário pode ser um luxo.

Segui a trilha até sair do emaranhado de árvores e plantas, que deixaram meu corpo cheio de marcas vermelhas e uma coceira insistente. A visão ao sair dali não me animou muito. Homens e mulheres se espancavam furiosos, sangue jorrava e gritos pontuavam o som maligno de socos e chutes contra a carne. Perto deles, uma lata de pêssegos intacta no chão. Apesar da fome, tinha mais vontade de viver. Resolvi deixá-los e procurar algo menos arriscado.

Continuei descendo pela estrada até avistar um posto de gasolina. Busquei qualquer coisa de valor por ali mas não havia sobrado nada.

Escutei um barulho.

Um homem alto, de olhos arregalados, apareceu e me cobriu com sua sombra. Suor e sangue secos no rosto lhe davam uma aparência macabra. Permaneci parado e prendi a respiração.

— Está sozinho? — ele perguntou sem piscar, com uma voz esganiçada.

Engoli em seco. O estranho não parecia querer confusão. Resolvi apostar.

— Estou — respondi, um pouco mais alto que um sussurro.

— Pode me ajudar a matar um ladrão? Perdi tudo que tenho. Divido um pouco com você se aceitar.

Não tinha muita escolha. Já estava há horas procurando suprimentos e ainda tinha as mãos vazias. Além disso, a ideia de matar um bandido me agradou.

— Certo. Vamos.

Procuramos ao redor do posto com cuidado, andando agachados. Não havia sinal dele. Decidimos que era inútil continuar perdendo tempo e saímos. Ele se apresentou como XotaMaster96. Era um mundo estranho.

Resolvemos buscar suprimentos juntos. As coisas ficaram mais fáceis daí em diante. Poucos sobreviventes, mesmo em grupos, arriscavam encarar duas pessoas. Os custos não valiam a pena.

Construímos um arco e algumas flechas para o XM e uma machadinha para mim. Os dias passaram e nossa amizade crescia. Já tínhamos perdido a conta do calendário. Eu agora o chamava de Xota.

Arrumamos um local isolado perto da floresta de onde eu havia me perdido semanas ou meses e antes e decidimos construir um pequeno abrigo. Juntamos madeira, cordas, folhas e até pregos encontramos. No segundo dia de construção, um grupo de seis maltrapilhos apareceram. Seus olhos eram injetados, as lâminas que carregavam tinham aparência demoníaca. Três deles tinham o arco retesado com uma flecha de ponta enferrujada mirando nossas cabeças. Um magrelo de moicano se adiantou rodando um cutelo na mão, sorrindo presunçosamente. Como desejei acabar com aquele sorriso, dente por dente.

— Meninas, eu e meus amigos gostamos deste lugar — disse o desgraçado. — Vamos ficar com ele.

Xota levantou-se devagar, sob a mira dos arcos. Ainda segurando um martelo com a mão esquerda, enxugou o suor da testa. Sua expressão não anunciava nada.

— Vamos embora, eles são muitos. Podemos recomeçar em outro lugar — sussurrei para o meu companheiro.

Ele me mostrou um sorriso cansado.

Xota olhou para o líder do bando como se fosse dizer alguma coisa, mas seu braço voou para trás e para frente em um movimento rápido e inesperado, fazendo o martelo explodir na testa do ladrão. A cabeça com o moicano ridículo voou para trás e ele caiu no chão, imóvel e com o crânio amassado. Tudo aconteceu instantaneamente, mas o tempo pareceu lento. Escutei o estalar da corda dos arcos se soltando e o zunir das flechas enquanto elas voavam. As três atravessaram o peito de Xota. Seu corpo desabou sem jamais largar o martelo. Com nossas armas longe, só pude correr enquanto chorava a morte do meu amigo.

Pensei em Xota e no que fazer em seguida. Não havia muita escolha. Viver mais um dia. Sempre viver. E, agora, alimentar a vingança.

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O jogo ainda está em Alpha, com muitos bugs e pouca otimização, além dos inúmeros hackers que povoam os servidores, mas H1Z1 mostra promessa. Será gratuito, mas quem quiser pode pagar pelo acesso antecipado. As atualizações e melhorias estão vindo aos poucos, mas constantemente. Por enquanto já podemos saber mais ou menos o que esperar: um divertido jogo de sobrevivência com engine responsiva, sistema de craft interessante e boas recompensas para exploração. Os desenvolvedores são presentes e comunicativos, o que é um bônus. Vale pelo menos acompanhar a evolução do título.

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AINDA EM ALPHA

Como tudo ainda está muito prematuro, espere por bugs, hackers, problemas de servidor, gráficos simples e pouco conteúdo. Fome e sede precisam de otimização. Ainda não se diferencia de outros títulos parecidos. Como os outros, parece uma grande arena de PvP com zumbis de figurantes.

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ATUALIZAÇÕES CONSTANTES

Apesar do estado inicial, os desenvolvedores do H1Z1 estão mandando bem nas atualizações. Elas saem constantemente e com boas melhorias. A IA dos zumbis foi aperfeiçoada, tornando-os uma ameaça mais séria, especialmente em grupos. O sistema de craft é fácil de usar e conta com diversidade, incentivando a exploração.  Os veículos deixam o gameplay mais interessante.

A versão alpha do H1Z1 pode ser adquirida na Steam por R$ 36,99.