Llembra de quando aprendeu a nadar (espero que tenha aprendido. É legal. E útil, como vamos ver)?

Se foi como eu, você aprendeu quando era criança. E provavelmente tomou vários caldos, mas isso não te impediu de continuar, impediu? Eu lembro que tinha muito medo de piscina porque quase morri afogado uma vez.  Meu pai tinha dito para eu não sair da borda, porque a piscina era funda, e me deixou lá. Eu escorreguei.

Não passou nenhum filme da minha vida diante dos meus olhos, e seria um filme muito curto, também, já que eu era bem novo, mas o que eu me lembro é do desespero, do fogo nos pulmões e do azul esverdeado me envolvendo. Então eu senti um braço me agarrar e me levar para a querida terra firme. Era um amigo meu, que tinha visto a minha técnica de natação de longe, que consistia em me debater e beber e inspirar toda a água da piscina até conseguir ficar de pé.

Histórias traumáticas à parte, isso não me impediu de aprender a nadar. Eu fiquei com mais medo de piscinas, mas mesmo assim entrei na natação e aprendi, aos poucos. Eu via outras crianças nadando e sempre acreditei que também conseguiria. Caldos, vergonhas e cãibras depois, eu cheguei lá. Espero que você também tenha conseguido.

A analogia está quase acabando.

Imagine se as crianças partissem de outro raciocínio. Elas levam um, dois, cinco caldos e começam a pensar “isso é muito difícil, nunca vou aprender a nadar direito”. Ou então “olha esse Michael Phelps, nunca vou conseguir nadar assim”. Muita maluquice, né? Por que elas se comparariam com um profissional ou desistiriam por causa de algumas tentativas mal sucedidas?

E é exatamente isso o que fazemos depois de velhos.

Todos têm a sua própria jornada. Ninguém nasce mestre em alguma coisa. Claro, alguns nascem com certas vantagens, mas, ainda assim, precisamos de dedicação e esforço para alcançar nossos objetivos. E alguns desses objetivos demoram mais que apenas algumas tentativas para serem dominados. Alguns levam meses ou anos. Outros, como penso que é a escrita, são um aprendizado eterno.

Então se a sua escrita lhe parece fraca, ou não está no nível que deseja, continue tentando. Continue escrevendo. Escreva um pouquinho que seja todos os dias, aprenda onde está a sua fraqueza, veja os padrões que se repetem, tente melhorar um ínfimo a cada dia, e no final de um ano você estará… *pega a calculadora científica*… MUITO MELHOR!

Ninguém constrói nada extraordinário em um dia ou uma semana. E digamos que alguém tenha escrito um livro incrível em alguns dias. Quanto tempo de escrita esse autor já tem nas costas? A maestria demora. Às vezes, nunca é alcançada, e isso é ótimo. Ter a humildade de continuar aprendendo é um prazer reservado para poucos.

Veja o vídeo desse cara aprendendo a girar em uma Roda Cyr em 30 dias:

Ou o dessa mulher que aprendeu a dançar em um ano:

O que aconteceria se essas pessoas desistissem em duas semanas? Bem, os dias 30 e 365 não existiriam. E nem esses vídeos. E eu teria que usar outros exemplos para o post.

Enfim, o ponto é: o segredo da pirâmide é colocar o primeiro tijolo. Depois, o segundo. O aprendizado é feito de pequenos avanços. Se tentássemos fazer apenas as coisas em que somos naturalmente bons, o mundo seria um lugar triste.

Abrace o amadorismo e continue escrevendo, dançando, nadando. Keep walking, Johnny Walker.

PS: Há alguns anos eu salvei o tio de uma amiga de morrer afogado na praia, completando o ciclo da vida. Bateu uma correnteza, entramos em um buraco e ele não sabia nadar. Eu tive flashebacks do Vietnã, mas mantive a calma e o levei até a areia.

Moral da história: continue tentando, aprenda a nadar e salve os afogados.

“O fracasso só existe quando você para de tentar.”

— Elbert Hubbard