Eesse é o resumo de um artigo muito interessante do Lifehacker. De acordo com o autor, algumas pesquisas científicas e teorias de filósofos e ensaístas demonstram que ler ficção pode aumentar nossa qualidade de vida, independentemente da nossa personalidade. Apesar de alguns dos efeitos da leitura no cérebro ainda serem incertos, muitas vantagens já estão bem definidas.

Ler pode ajudar a criar empatia

Muitas pesquisas nos últimos anos indicam que ler ficção leva ao aumento de empatia. As mesmas áreas do cérebro são ativadas quando lemos algo ficcional ou quando experimentamos esses mesmos eventos na vida real.

A imersão da leitura é suportada pela forma como o cérebro processa linguagens ricas em detalhes, alusões e metáforas: por meio da criação de uma representação mental que tem por base as mesmas regiões do cérebro que seriam ativadas se a cena se desenrolasse na vida real. As situações emocionais e dilemas morais que são a essência da literatura também são um vigoroso exercício para o cérebro, levando-nos para dentro das cabeças dos personagens fictícios e até mesmo, sugerem os estudos, aumentando nossa capacidade real para a empatia.

Annie Murphy Paul, para a Time

A pesquisa não prova que os livros nos tornam mais empáticos, mas há evidências que sugerem e reforçam a afirmação. Outros estudos, por exemplo, já demonstraram que a ficção pode ajudar a mudar valores sociais através de simples exposição.

No mínimo, ler ficção concede a oportunidade de nos colocarmos no lugar de outras pessoas. Com sorte, isso nos torna mais empáticos, mais compreensíveis e mais abertos a novas ideias.

A ficção nos ensina que a mudança é inevitável

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Principalmente na ficção científica, estamos sempre lendo sobre aparelhos e ideias futuristas que acabam se tornando realidade com o tempo. Por exemplo, em Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, livro de 1932, a sociedade distópica tinha como conceitos principais a engenharia genética e uma droga que alterava o humor, chamada ‘soma’. Os antidepressivos só foram popularizados em 1950, e a primeira manipulação genética, em 1972. Há inúmeras outras previsões desse tipo na literatura. Júlio Verne fez vária delas, como o submarino moderno, computadores e o ar acondicionado. Tenho certeza que ele era um viajante do tempo.

Ensinar sobre mudanças não é exclusivo da ficção científica. A ficção fantástica e a Young Adults (jovens adultos, também chamada de YA) também são gêneros que nos mostram sobre esse assunto o tempo todo. O personagem passa por eventos transformadores – sucessos, derrotas, aprendem lições e lidam com situações novas e inusitadas. Quando lemos sobre isso tudo, pensamos como reagiríamos nas situações e nossa compreensão aumenta.

Ficção gera curiosidade

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Uma característica fundamental do aprendizado é a curiosidade. Quando estamos curiosos sobre algum aspecto do mundo, corremos atrás e buscamos aprender tudo sobre ele. Nesse sentido, a ficção é um ótimo ponto de partida para atiçar a curiosidade e instigar a vontade de aprender.

Já perdi a conta de quantos livros me fizeram aprofundar mais em determinado assunto. Ao ler Shibumi, por exemplo, comecei a meditar e até procurar sobre jardins zen. Discworld, minha série favorita, me fez procurar tudo sobre literatura satírica. O Imperador despertou meu amor pela Roma antiga, os livros do Bernard Cornwell pela história. O Guia do Mochileiro das Galáxias, claro, pela vida, o universo e tudo mais.

Ler nos faz contar histórias melhores

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Estamos sempre contando histórias, mesmo se não percebemos. Histórias nos ajudam a entender como o mundo funciona e a fazer sentido das coisas que não compreendemos.

Histórias podem ser uma maneira dos humanos sentirem controle sobre o mundo. Elas permitem ver padrões onde há caos, ou seja, aleatoriedade. Seres humanos tendem a ver narrativas onde elas não existem porque elas podem dar sentido à nossa vida (…). Em um estudo de 1944 (…), foi exibido um curta-metragem em que dois triângulos e um círculo atravessaram a tela e um retângulo permaneceu parado de um lado. Quando perguntados sobre a exibição, 33 dos 34 alunos antropomorfizaram as formas e criaram uma narrativa: o círculo estava “preocupado”, “o pequeno triângulo” era “jovem e inocente”, o “triângulo maior” estava “cego de raiva e frustração”.

The Atlantic

 Quanto mais histórias lemos, melhor será nossa capacidade de contar histórias. Possivelmente também seremos melhores em filtrar os eventos exteriores e compreendê-los melhor.

Ler ficção nos expõe a novas ideias, novos mundos e novas pessoas. Somente isso já expande nossa mente e nos ajuda a lidar com a vida de novas maneiras.

Vale lembrar que esses benefícios não são exclusivos da leitura – eles também se aplicam a qualquer outra mídia ficcional. Entretanto, é na leitura onde estamos propensos a prestar mais atenção, bloquear o mundo externo e participar ativamente da história por meio da imaginação. Contanto que tenhamos uma disposição crítica em mídias mais passivas, os resultados podem ser os mesmos.