Oo post de hoje foi escrito pela autora Camila M. Guerra. Ela fez a gentileza de compartilhar conosco cinco lições que aprendeu ao escrever seu romance de estreia, A Última Chave, lançado na Amazon. Muito obrigado, Camila!

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Sofia mantém sua vida nas rédeas e está muito feliz sozinha. Até o dia em que encontra um livro intrigante que muda completamente a sua vida, envolvendo-a em uma série de sonhos estranhos.

Sem querer, ela passa a viver experiências muito intensas fora do corpo. Essas experiências trazem para sua vida um tufão, que bagunça seu auto-controle e, de quebra, traz-lhe uma indesejada e arrebatadora paixão e uma batalha incansável contra um inimigo feroz.

Sonho ou realidade?

A realidade nos sonhos pode ser implacável e verdadeira…

Em meio à enxurrada de textos para traduzir (meu atual trabalho), fui dormir aquele dia com a cabeça cansada, preocupada com os prazos apertados dos projetos nos quais trabalhava.

Mas a preocupação não me impediu de encontrar meu destino. Dormi rápido. E sonhei. Uma história interessante se desenrolava sob meus olhares curiosos. Uma moça, sonhos, um rapaz em coma… um vilão.

Acordei assustada. Afinal, ver tão de perto aquela história no sonho foi, sem dúvida, tenso.

O dia começou. E, com ele, começou “A Última Chave – Realidade em um Mundo Paralelo”.

Fácil. A história estava toda na cabeça. O sonho, ainda vívido, quase real. Foi aí que aprendi as minhas primeiras lições no mundo da escrita:

1) Os personagens têm vida própria

Soa estranho. Eu sei. Pode me chamar de doida, não tem problema.

Mas é verdade, personagens são como filhos. Você os cria, faz planos para eles, desenvolve sua história de maneira que eles possam percorrer os caminhos que você traçou e… Não. Não é assim que funciona. Os filhos… quero dizer, os personagens, têm vida própria. Eles até ouvem você, mas tomam decisões sozinhos. E aí, minha Sofia apaixonou-se por um personagem, quando, na verdade, deveria ter se apaixonado por outro. Isso mudou os rumos de toda a história. Filhos!…

2) O escritor de ficção não é Chico Xavier

Você é criativo, escreve bem, escreve muito e não lhe faltam opções. Vai sentar-se à frente do computador e a inspiração virá como um rio correndo fluido montanha abaixo. Certo?

Errado. Esqueça isso. Esse negócio de sentar, apoiar a cabeça com o braço, tapar os olhos com a mão e escrever feito médium, não funciona. Uma hora a coisa trava.

Descobri na prática que a história precisa, no mínimo, de um pequeno roteiro, que vai sendo adaptado à medida que surgem as mudanças inevitáveis na trama. Ideias que sirvam para guiar seus momentos de bloqueio criativo. Se não, o desânimo e a irritação podem minar seus planos, especialmente para quem está desenvolvendo sua primeira história.

3) Conhecimento do assunto é essencial

Nunca subiu uma montanha íngreme e exigente na vida? Como vai poder comentar sobre a experiência? E a sensação de chegar ao topo, como é? Há coisas que podemos inferir, mas nada ficará tão bom e tão perfeito se não for uma descrição do que você acredita ou do que viveu. Se precisar escrever sobre um assunto que não domina, estude-o. Pesquise. Ouça e leia relatos, converse com especialistas, tente viver naquele mundo, naquele problema, naquela situação durante seus momentos de escrita. Assim como um ator, o escritor é um artista. E para transferir para as palavras a energia necessária para tocar o leitor, nada melhor do que coloca-la na ponta do lápis. Quero dizer, na ponta dos dedos. Cada palavra vibra de uma forma no texto. Escrever com convicção faz com que o texto vibre na mesma intensidade que seu coração quando o escreveu.

4) A prática leva à perfeição

Já tinha escrito um romance menor antes, como teste, mas considero “A Última Chave” um trabalho melhor, mais completo. Os primeiros capítulos desse segundo livro ficaram ótimos. Apaixonei-me por eles. Continuei escrevendo e, quando cheguei no meio da história, resolvi reler tudo. Ah, não! Jura que eu escrevi aquilo? A história já tinha caminhado tanto, os personagens já tinham mostrado suas personalidades e, assim, os primeiros capítulos me soaram fracos. Reescrevi, acrescentei, tirei, mudei. Não pense que vai escrever e pronto. Toda história precisa de edição para ficar melhor, mais coerente, mais vibrante. Quanto mais prática, mais perfeição.

5) Hábito, o santo dos escritores

O hábito da escrita é santo. Sério! Sem ele, não se completa um livro. Para os que escrevem nas “horas extras”, que essas horas existam de forma coerente em seu dia a dia. Sempre, todo dia.

Com o hábito conquistamos a capacidade de enxergar um fio diferente, tênue no início. Ele se fortalece, alimentando-se com nosso hábito, até que conseguimos, finalmente, tocá-lo e, gentilmente, puxá-lo. É o fio da escrita, da criatividade, da facilidade em expressar ideias. Mas esse fio fujão, só aparece quando tem alimento. E seu alimento, é o hábito do escritor. Sem isso, não há livro!

Além de tudo isso, aprendi que a danada da inspiração aparece em qualquer lugar, a qualquer hora, de qualquer jeito. É sempre bom ter por perto algo onde colocar as ideias novas quando se está longe do computador. Acredite, elas são como crianças travessas, fogem rapidamente e vão brincar em outro quintal.

Meu aviso para os iniciantes na arte da escrita: Cuidado! Escrever vicia!

camila-m-guerra1 Camila M. Guerra: Twitter | Facebook | Site

A Última Chave: Amazon