Pparticularmente, não costumo contar quantos livros leio por ano. Com certeza foram bem mais de 20 em 2014. Sem ordem específica, esses foram os que mais gostei e recomendo para todos.

ardil 22

Ardil 22, de Joseph Heller. Esse é o tipo de livro que, ao terminarmos, podemos facilmente voltar para a primeira página e recomeçar a leitura. Apesar do humor, dos diálogos e das situações surreais, os personagens são verdadeiros o suficiente para nos apegarmos ou odiá-los.

sonhos de einstein

Sonhos de Einstein, de Alan Lightman. Leitura rápida, divertida e provocante. O tempo é o personagem principal da história, onde seu conceito muda a cada mundo. Em um, o tempo é circular, e as pessoas estão fadadas a repetir as vitórias e tragédias que viveram. Em outro, elas não têm memória, só conseguindo viver o presente e acabam se tornando obcecadas com os registros que anotam. Cada dia perdem mais tempo ao ler todo o passado acumulado em seus cadernos. Um livro que deveria ser obrigatório.

Cem Anos de SolidãoCem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. O realismo mágico do autor não é para todos. Houve partes em que eu simplesmente parei e pensei “puta merda, não dá mais”. Entretanto, continuei, e pra mim valeu a pena. A trama pode ser lenta, repetitiva e confusa, mas eu acho que estava no humor certo para ler. Acabei gostando da família Buendía e com o surrealismo da ambientação. Foi uma leitura deliciosa cheia de tragédias, incesto, pedofilia, conquistas, vida, morte, loucura e muito mais. Perturbador e emocionante.

feliz ano novo

Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca. Infelizmente só em 2014 fui conhecer esse gênio, e com a ajuda da minha namorada, que me indicou e emprestou a obra. Livro de contos bem curtos e viscerais. Uma olhar sobre o pior do comportamento humano, uma janela para o lado negro da alma. Violento, direto e muito real, a leitura vai ficar na sua cabeça por dias, latejando e incomodando com um sentimento perturbador de familiaridade.

o-teste-do-psicopata-jon-ronsonO Teste do Psicopata, de Jon Ronson. O autor investiga a insanidade, em especial a psicopatia, e como ela se infiltra nos altos escalões da sociedade e no nosso dia a dia. O estilo de Ronson é acessível, tornando a leitura rápida, engraçada e estimulante. As situações em que ele se mete são hilárias mas também nos fazem refletir e temer um pouco sobre o estado em que vivemos. As pessoas estão mais ligadas à loucura do que imaginamos. Uma das situações do livro é a seguinte: um homem finge ser insano para não responder pro um processo de violência, mas acaba sendo internado em um hospício por anos. Ele diz que é normal, mas ninguém acredita. Como está sempre calmo e passivo, ele não pode ser são, já que o comportamento normal seria a raiva e a indignação pela injustiça. O prisioneiro então começa a agir violentamente para provar que houve um engano. Os médicos decidem que a psicose dele está piorando. Como provar que somos sãos?

acredite estou mentindo

Acredite, Estou Mentindo, de Ryan Holiday. O autor explica com um realismo perverso a verdade sobre a nova era do jornalismo digital: a prioridade é a velocidade; os fatos podem ficar para depois. Ele desconstrói como as notícias são feitas – sem checagem de fatos, visando somente cliques. É constrangedor perceber como somos parte desse meio absurdo, alimentando e compartilhando o conteúdo manipulativo.Uma análise brilhante da mídia moderna. Cuidado: a internet terá um gostinho azedo depois da leitura.

sandman-ed-definitiva-vol1

Sandman: Edição Definitiva, de Neil Gaiman. Demorei muito pra começar porque não gostei de Deuses Americanos. Mas gostei de Coisas Frágeis 1 e 2, então o autor estava neutro pra mim. Apesar de toda a idolatria, não achei o melhor quadrinho do mundo. É superestimado demais (como a maioria da trabalho de Gaiman, pelo menos pra mim). Entretanto, a história e a arte são fantásticas. Se ainda não conhece o trabalho do autor, eu diria que é um ótimo ponto de partida.

watchmen

Watchmen, de Alan Moore. Não gostei muito da arte, mas a história é boa. Tirando as partes do náufrago que pra mim foram absolutamente desnecessárias. A ideia da revista é falar sobre super-heróis sem superpoderes e o que acontece se eles perderem o controle. Em alguns momentos é uma leitura pretensiosa e chata, mas gostei pelo niilismo todo da coisa.

Scalped 1

Escalpo (Scalped), de Jason Aaron. Provavelmente minha HQ favorita. Drogas, tráfico, racismo, violência, corrupção – tudo que uma sociedade moderna tem está presente na obra. Talvez eu tenha preferência por ler sobre o lado sombrio da humanidade por achar mais real, mas Escalpo realmente vale a pena. Não importa se você é fã de quadrinhos ou não.

salmao da duvida

O Salmão da Dúvida, de Douglas Adams. Uma coleção de textos direto do computador do meu escritor favorito. Parece que Adams está na sua frente conversando com você. O humor inteligente, ateu e satírico dele é inconfundível e nunca é o suficiente. É impossível ler Douglas Adams e dizer “já chega, li demais disso, preciso de outra coisa”. Provavelmente a melhor leitura do ano. É como provar o último gole de uma bebida extinta.

internet is a playground

The Internet is a Playground, de David Thorne. Uma compilação de e-mails onde o autor testa a paciência dos outros com seu humor ultrajante. MUITO engraçado. Não leia se tiver coisas pra fazer durante as próximas horas.

o mundo assombrado pelos demônios

O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan. Porque a ciência não é só para cientistas. O pensamento é dever de todos. Só deveríamos nos considerar humanos após essa leitura.

bilhoes e bilhoes

Bilhões e Bilhões, de Carl Sagan. O último livro de Sagan, terminado por sua esposa. Dezenove artigos reunidos do gênio que faz muita falta no mundo. A leitura chega a ser emocionante quando a Ann Druyan fala sobre a doença dele. É o tipo de livro que deveria ser estimulado nas escolas.

a-revolucao-dos-bichos

A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Livro de simbolismos das injustiças cometidas por forças elitistas e como pessoas simples são usadas e enganadas sem nem mesmo saber. Não se deixe enganar pelo paralelo ao comunismo – a obra se encaixa em dezenas de outras situações.

o rei de amarelo

O Rei de Amarelo, de Robert W. Chambers. Livro de contos relacionados à peça ficcional “O Rei de Amarelo”, uma publicação que leva qualquer um à loucura. Metade dos contos são de fantasia e a outra metade é mais realista, sem conexão com os primeiros. No estilo Lovecraft, mas sem a prolixidade.

garota-exemplar

Garota Exemplar, de Gillian Flynn. Thriller com suspense do começo ao fim. Você prende a respiração e só solta na última página. O final é de cagar tijolos.

cafe da manha dos campeoes

Café da Manhã dos Campeões, de Kurt Vonnegut. Divertido e deprimente. Vonnegut escreve sobre a sociedade americana como se ela estivesse extinta e não soubéssemos nada sobre ela.

voce nao e tao esperto quanto pensa

Você não é Tão Esperto Quanto Pensa, de David McRaney. Nada que fazemos tem a ver com escolhas individuais. Somos manipulados pela mídia e pelo comportamento em grupo. Nossa pensamento é repleto de vieses e falácias. Ninguém é exceção.

zen in the art of writing

Zen in the Art of Writing, de Ray Bradbury. O entusiasmo do autor é contagiante. Ele consegue nos levar de cabeça erguida do livro dele para escrevermos o nosso.

Still-Writing-by-Dani-Shapiro

Still Writing, de Dani Shapiro. Ótimo livro sobre escrita que equilibra memórias pessoais e conselhos úteis, no estilo do On Writing, do Stephen King. Para iniciantes e veteranos, já que inspiração nunca é demais.

E quais foram as suas melhores leituras de 2014?